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terça-feira, 29 de abril de 2014

Ebô Baba Ebô Orum Álá, Orixá Alá Boriô Ebô. O Milho Branco (agbadô ou ebô) é um grão muito importante para o Povo do Santo. Seu preparo e forma de utilização nos rituais de oferendas envolvem preceitos bem rígidos, que nunca podem deixar de ser considerados pelos seguidores do Candomblé. Todos os Orixás, de Esú à Oxalá e até mesmo os ancestrais, recebem oferenda a base deste grão. Todas as cerimônias, do ebó mais simples aos mais sofisticados, em rituais de iniciação, de passagem, ritos de vida e de morte, em tudo mais que ocorra em uma casa de Candomblé, só acontecem com a presença do Milho Brando (agbadò ou ebô). A pasta branca de milho branco depois de pilado ou moído chama-se (èko), o mingau chama-se (denguê), depois de moído e cozido e envolvida na folha de bananeira verde, chama-se de àkàsà, Os grãos cozidos só na água chama-se egbô, moído e cozido, envolvido em palha de bananeira seca chama-se aberem, Os grãos recheados com cebola, camarão, azeite doce e dendê chama-se Dibô, os grãos inteiros cozidos com coco e açúcar chama-se mukunza. Toda oferenda com milho branco restitui e redistribui o axé, por ser o grande elemento apaziguador, que arranca a morte, a doença, a pobreza e outras mazelas do seio da vida, tornou-se a comida predileta de todos os Orixás. Nem todas as palavras do mundo são suficientes para decifrar e expressar o valor de uma oferenda a base de milho branco. Basta admitir que os segredos estão nas coisas mais simples, para ver que muitos julgaram insignificantes, a comida extremamente importante do candomblé, banalizando o sagrado e privilegiando a intuição imaginária em detrimento do fundamento. Constituem grandes fundamentos "cristalizados" ao longo de anos e anos de tradição. Fundamento é o segredo compartilhado com o Povo de Santo, o mistério sagrado, o detalhe que faz a diferença e a prova de que ninguém pode enganar o Orixá que existe em cada um de nós. O grande fundamento é que em todos os rituais por menor que seja a presença de alguma comida com milho branco deve estar presente, seja ela em forma de Ebô, Àkàsà, Aberem, Dibô, Denguê, que possibilita a paz, alegria e longevidade. O maior segredo e melhor fundamento do Candomblé é um ritual indispensável a todos nós, constituído do ato de oferecer Milho Branco à cabeça, chamado de Bori ou Ebôri, pois é este ritual que mantem todo Povo de Santo de pé e totalmente equilibrado.

sábado, 26 de abril de 2014

Òrí o Orixa mais importante.

ÒRÍ(Compreendendo Òrí como o Òrìsà mais importante) No nascimento de todo ser humano, o Orí-Ode (cabeça física), é o primeiro membro que surge no mundo e, juntamente com a cabeça física, vem predestinadamente o Òrìsà o mais importante, chamado também de: ÒRÍ/ODÙ, ÒRÍ-INU ou ÒRÍ-ISÈSÈ, considerado como a nossa essência divina, que é mais diretamente ligada a Deus. Assim ÒRÍ-INÙ tem a importante missão de acompanhar um ÒRÍ-ODE (cabeça física), dês do nascimento, por toda a vida e, até após a morte. Com o Òrìsà ÒRÍ, trazemos as nossas impressões que estão gravadas em nosso inconsciente, a nossa origem no universo, a nossa missão neste mundo, as nossas capacidades e incapacidades, ligados ao nosso comportamento e conduta ética. Ligados a ao Òrìsà ÒRÍ está nosso Èlédà, (a mente/essência superior e criadora), como fonte da inteligência para a sobrevivência aqui no Aiyé (Terra). Portanto, de acordo com a força do Òrìsà Òrí em nossa cabeça, geramos toda a nossa força propulsora que nos conduzirá em nossa jornada, não somente para a vida em si como para uma longa-vida, mas também na saúde, equilíbrio mental/emocional, prosperidade, felicidade de casamento, obtenções de filhos (formação de família), ainda amigos, vitórias, honra, consideração, prestígio, também o nosso ofício somente profissional ou espiritual. Assim a pessoa está diretamente ligada ao Òrun (além) através do Òrísà ÒRÍ. Portanto, este Òrìsá especial é o único que conhece o próprio destino da mesma e a forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual, até que somos tocados pela força de Ikú (a morte).

Considerando, o Òrísà Òrí = origem do ser = Elédà (mente superior), está ligado ao Òrum, e ao mesmo tempo ligado à Terra (Aiyé), e sua força sobrevive até após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito, e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem, retornando à grande consciência cósmica (Deus).A cada dia que passa todo estudante de Ifá vai se aprofundando até que fica sabendo que "o pensamento provoca a ação", "a ação provoca a reação", e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa própria conduta, de nosso equilíbrio, tanto espiritual como emocional, e isto é ter um bom Orí, que saudamos como Òríire ou Òrírere. Já para aquelas pessoas com um Mau-Òrí diremos Òrí-Burúkú ou Òrí-Bururu, é aquele de cabeça infeliz, que é considerada uma cabeça fraca/incapacitada. O tipo de Òrí-Buruku é o mais comum, o qual pode vir com vários graus de incapacidades, dês de uma cabeça enfraquecida pelos desgastes da vida, cabeça deprimida, cabeça desiquilibrada, cabeça vulnerável à doenças leves até crônicas, morte prematura, perdas ou dificuldades financeiras, pobreza geral, ataques de feitiços, bruxarias, infertilidade, esterilidade, conquistas de inimizades, sofrimento por desonras, desrespeitos, perseguições, disposição à depressão, infelicidade no amor, tendência à fugas ou graus de pânicos (medos), irritação, desatinos, ócio, preguiça, desânimos, teimosia, arrogância, oposição a tudo e todos, agressividades, violência, insatisfação (oscilações de humos), reatividade, autoritarismo, mania de doenças, medo de perder, me de agir, medo de fazer as boas escolhas, medo de viver, medo de morrer. Em outros piores, desenvolve uma tendência à pratica da mentira gradativa, cleptomania, fofoca, sarcasmo, sadismo, maldição, falsidade, inveja, manipulação, maledicência, inteligência para golpes, trapaças, fraudes, corrupção, psicopatia, tendência à perversidade, crueldades até absurdas, loucuras, promiscuidades, compulsões de vários níveis, avareza, ganância por dinheiro, necessidade de ostentação, vaidade de ego, megalomania, futilidade, estupidez. Enquanto alguns Ori-Buruku podem se manifestar na falta de direcionamento, autoabandono, desleixo, bipolaridade no humor, falta de responsabilidade, incompatibilidades, precipitação, exageros, má administração, marasmos, vulnerável à perturbações de espíritos ou de pessoas egoístas, maliciosas e interesseiras. Em alguns outros Ori-buruku pode se manifestar a improdutividade de forma geral, vários tipos de incapacidades. Ou seja, um Ori-Buruku é sempre uma cabeça infeliz, de alguma forma evidente, sofrendo agressões ou agindo como agressor. Seja como for, a pessoa de Ori-Buruku já estar se desalinhando ou já está completamente desalinhada da sua fonte divina (Deus). Portanto, toda pessoa necessita manter o seu alinhamento com Deus. Há algumas pessoas necessitam de um realinhamento ou até uma transformação mais elaborada do Ori-Buruku em Orire.Portanto, unicamente através de ÒRÌ, Olódùnmarè, nosso Deus maior nos deu a possibilidade de atingir a perfeição, deixando conosco a sabedoria transcendente, a qual somente poderá ser compreendida com um bom Òrí, assim diz o Oríkì (exaltação), "Nada se faz sem um bom Orí," nem mesmo nosso corpo tem comando, nada caminha, nada evolui, nada prospera, não se tem alegrias, não se tem equilíbrio emocional/mental, não se tem amor, não se tem produtividade, não se tem fertilidade, não tem saúde, não se tem longa vida. Mas, é somente através de Ifá (opele ou Ikin), que soma a sabedoria suprema e se ativa a capacidade de um ÒRÍ. Ifá como sabedoria divina, a cosmogenia e a cosmologia, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade, a força que conduz a sustentação do planeta vivo. Neste processo tão poderoso, aquele que executa o Ibóshumori (processo de assentamento do Igba-Eleda-Ori) estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, Deus. Mas só Ifá traduz a individualidade de cada pessoa, Òrí-Ode e Òrí-Inu.

Agora, se tratando exclusivamente de Ifá, nem todas as pessoas estão habilitadas a carregarem em seu Òrí, a força de Orunmila que liga o ser humano com o sagrado. Seus sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições que envolvem: botânica medicinal, mineralogia, zoologia, geologia, biologia, física, química, geometria, astronomia, astrofísica, filosofia, literatura, simbologia, iconografia, sociologia, ética moral, ciências humanas, sexologia, antropologia etc. Então, baseados em todas essas ciências, só um Babalawo legitimo consegue unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes profundamente sãs.Èsé de Òrí no Odù IretefunIretéfun aquele que imprime o Efun nas costas de crocodilo. Ifá foi consultado para os 401e Irunmolé, quando eles iam para o Apere (o estado de perfeição) Aquele que marca o Efun nas costas de crocodilo. Ifa foi lançado para o Orisa Òrí, quando ele também estava indo para o Apere.Todos foram avisados, por Ifá, para oferecer sacrifício à sua cabeça, mas apenas o Orisa-Òrí ouviu o conselho de Ifá e executou o seu sacrifício O sacrifício de Ori foi eficazmente recompensador, Então ORI se tornou o mais importante Orishá entre todos os outros Orishá’s (divindades) Desde então, é, só Ori que atinge o Apere, o estado de perfeição.Qualquer outra divindade só pode dá um suporte à uma pessoa “apenas com o consentimento do próprio Ori”. Então ORI é superior a todas as Divindades. Ori é superior a todos os outros Irunmalé (orisa divinos).Nenhum outro Orisa fala mais alto que o Orisa-Òrì, Òrí é o unico Orisa que dá a consciencia e com tratamentos é o unico que conduz as pessoas ao estado de perfeição durante a vida.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Yemanjá







Yemanjá


Iemanjá ou Yemanjá (do iorubá Yemọja), era na origem o orixá dos Egbá, nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemọja. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a migrar para Abeokutá, no oeste, no início do século XIX, levando consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade. O rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se a nova morada de Iemanjá. Segundo Pierre Verger, esse rio Ògùn nada tem a ver com Ògún, o orixá Ogum, apesar da opinião de autores do fim do século XIX. Seu nome iorubá deriva de Yèyé ọmọ ẹjá ("Mãe cujos filhos são peixes").
O principal templo de Iemanjá está localizado em Ibará, um bairro de Abeukutá. Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscar a água sagrada para lavar os axés, não no rio Ògùn, mas numa fonte de um dos seus afluentes, o rio Lakaxa. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores. O cortejo na volta, vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.

Iemanjá seria filha de Olóòkun, deus (em Benin) ou deusa (em Ifé) do mar. Tem diversos nomes, relativos, como no caso de Oxum, aos diferentes lugares profundos (ibù) do rio. Ela é representada nas imagens com o aspecto de uma matrona, de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva.


Iemanjá no Brasil 
No Brasil, Iemanjá é provavelmente a mais popular entre os orixás. Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul. O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro. Olocum é lembrada por alguns terreiros como sua mãe, mas não incorpora nem recebe culto à parte.
O símbolo de Iemanjá é um abebé, um leque de metal prateado com a figura de um peixe. Fazem-se oferendas de patas, galinhas e cabras bancas, não se aceitando animais de outras cores. Seus pratos são também brancos: ebó de milho branco com mel, arroz e angu. É saudada com o brado de "Odôia!" ou "Odô-fé-iabá!". Suas iaôs dançam imitando os movimentos das ondas, ao ritmo vagaroso e pesado chamado sató, usado também para Nanã.

Diz-se na Bahia que há sete Iemanjás:
Yemowô, que na África é a mulher de Oxalá;
Iamassê, mãe de Xangô;
Euá (Yewa), rio que na África corre paralelo ao rio Ògùn e que frequentemente é confundido com Iemanjá em certas lendas;
Olossá, a lagoa africana na qual deságuam os rios.
Iemanjá Ogunté, casada com Ogum Alagbedé.
Iemanjá Assabá, manca e sempre fiando algodão.
Iemanjá Assessu, muito voluntariosa e respeitável.
As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto. Na Bahia, Iemanjá é freqüentemente representada na forma de uma sereia, com longos cabelos soltos ao vento. Chamam-na também, Dona Janaína e Rainha do Mar. A origem do nome "Janaína" é controvertida: O dicionário Houaiss registra a tentativa da museóloga e folclorista Olga Cacciatore, de explicar esse nome como composição iorubá: iya "mãe" + naa "que" + iyin "honra", mas isso está longe de ser ponto pacífico. É possível que seja um diminutivo do nome das janas do folclore português e mediterrâneo, cujo nome deriva da deusa romana Diana e que também são imaginadas como sereias ou fadas das águas. Também é usado o nome Inaiê, talvez do tupi ina'ye, o inajé ou gavião-carijó (Rupornis magnirostris), cujo nome significaria, originalmente, "solitário".
Iemanjá é geralmente sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Entretanto, os baianos deixam de lado o sincretismo que liga Oxum a Nossa Senhora das Candeias, festejada no dia 2 de fevereiro, e organizam nessa data a principal festa para Iemanjá, na praia do Rio Vermelho, que atrai uma multidão imensa de fiéis e admiradores. Oferecem-lhe imensas cestas cheia de presentes, cartas e súplicas, que é coberta de flores e levada em um saveiro, à frente de uma procissão de barcos, para o alto-mar, onde são depositadas sobre as ondas. Se forem devolvidas à praia, é sinal de recusa da divindade.

No Rio Grande do Sul, assim como na Bahia, 2 de fevereiro é dia de Yemanjá, Festa e Procissão de Navegantes, sincretizada como Nossa Senhora dos Navegantes, que é a padroeira da cidade de Porto Alegre, capital do estado. Assim como Nossa Senhora da Boa Esperança, Nossa Senhora da Esperança, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Candelária ou ainda Nossa Senhora da Purificação é um dos muitos títulos pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria.

Uma das maiores festas ocorre em Rio Grande, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes. Em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas. As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.

A Festa de Navegantes em Porto Alegre é a maior festa religiosa da cidade, e homenageia Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da cidade, e seu sincretismo afro-brasileiro. Originalmente constava de uma procissão fluvial, com embarcações que singravam o Estuário do Guaíba desde o cais do porto, levando a imagem da santa do centro da cidade até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Hoje, por determinação impeditiva da Capitania dos Portos, a procissão é terrestre, levando a imagem desde a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade, até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes.

Em 8 de dezembro, ocorre a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia. Nesse dia, feriado municipal em Salvador, também é realizado, na praia da Pedra Furada, no bairro do Monte Serrat (também chamado Boa Viagem), a festa do presente de Iemanjá, manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais.